Cada folha tem um orixá correspondente e um propósito específico no culto.
Saiba maisADORNOS: Parte de uma planta (Flôr, Folha, Galho, Semente, Fruto, etc...) que pode embelezar ou ser utilizado para enfeitar ou tornar alguém ou alguma coisa (àṣẹ) mais atraente e mais visual, enfeite, ornato, atavio.
AGBO:Banho que serve como ritual de limpeza, de purificação de um corpo para que assim ele possa ser protegido de maneira mais eficaz para um orixá. Na mesma linha, o termo também é usado para designar o líquido feito com folhas sagradas, maceradas em água das quartinhas (vasilhames de barro ou louça) do roncó, que será utilizado nos banhos citados.
AMACI:Compreende um preparado especial à base de ervas maceradas em água. É usado para banhar os iniciados. Uma grande variedade de ervas pode entrar na composição dos amacís. A seleção das espécies é feita pelo zelador de santo, respeitando o òrìṣà regente. Nesse sentido, as plantas que são empregadas no amasí são aquelas que pertencem à divindade. A utilização do amasí visa conferir maior interação entre o òrìṣà e o iniciado, fortalecendo os laços.
ASSENTAMENTOS:Objetos, símbolos e elementos necessários para estabelecer e representar o Orixá, é onde está assentado a sua força dinâmica, ficando depositado em locais específicos do terreiro; cada orixá possui seu espaço, sua casa, dentro do terreiro. Os fundamentos são as obrigações feitas para o orixá.
BANHOS:Consiste de um ritual que visa fortalecer, limpar e proteger os adeptos (iniciados), ou visitantes que buscam ajuda nas casas de santo. O banho de limpeza possui grande popularidade cultural, por ser de fácil manipulação. Comumente são feitos com ervas indicadas pelos pais e mães de santo, maceradas com água fria e jogadas sobre o corpo. É importante ressaltar que não são todos os banhos indicados que podem ser usados para lavar a cabeça, sendo necessário à orientação direta dos pais e mães de santo. Vale ressaltar que há os banhos de atração, que são banhos relacionados a processo de conquista voltado para auxiliar relacionamentos.
BANHO LUSTRAL : É um banho de purificação ou limpeza espiritual, derivado de rituais antigos, que usa água (ou outros elementos) para promover a renovação e a proteção. O termo "lustral" vem do latim lustralis, referindo-se a cerimônias de purificação praticadas na Antiguidade. Na prática moderna, pode envolver o uso de sal grosso, ervas específicas e a intenção de afastar energias negativas e atrair boas vibrações.
CULINARIA:As comidas preparadas nas casas de santo possuem um valor sacral, ou seja, cada orixá possui sua comida, e tanto nas celebrações como nos rituais cotidianos, estes preparados culinários levam diversas plantas. Estas podem ser usadas para temperar, decorar e outros.
DEFUMADORES:Um preparado de ervas secas, com propriedades curativas e de proteção, sendo muito usados nesta categoria o Fumo (Nicotiana tabacum), associado à outras ervas. Representa traço marcante da cultura ameríndia adaptada aos cultos africanos no Brasil.
EBOS:Nesta categoria, enquadram-se as plantas que são empregadas em Ebós. Os Ebós são trabalhos de complexa manipulação em locais fora do terreiro, popularmente chamados de "Despacho". As plantas também são usadas em Celebrações ou ocasiões especiais, como por exemplo, as celebrações fúnebres. Há também bebidas que são preparadas para cerimônias com ingredientes de procedência vegetal e que possuem propriedades curativas.
FETISHES:Objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e se presta culto.
INICIAÇÃO:Rituais de iniciação possuem uma total complexidade de fundamentos, que são as bases da liturgia dos cultos afro-brasileiros. No processo de iniciação do filho de santo diversas plantas são utilizadas. São exemplos do emprego dos vegetais na iniciação; cama de folha do orixá, esteira, pós, entre outros.
OBJETOS:Ervas ou folhas utilizadas na sacralização e na limpeza dos objetos rituais, ou na confecção de talismãs.
OFERENDAS:Nas religiões afro-brasileiras, é um sacrifício ritualístico, em que, assim como em outras religiões, os praticantes se desfazem de um bem material em homenagem a um orixá ou entidade espiritual. Possuem variações de acordo com cada uma das religiões, e mesmo dentro de cada uma dessas religiões, pode receber diversos nomes de acordo com o tipo de ritual específico.
SACUDIMENTOS:Processos ritualísticos de limpeza, visando aliviar tensões locais e psicológicas, causadas por energias negativas acumuladas no indivíduo. Chamado de sacudimento por ser uma forma de balançar as energias, muito parecido com a popular "Benzedura".
SIMPATIAS:Rituais ou atos que se acredita que possam atrair boa sorte, afastar o azar ou realizar desejos.
MAGIAS:arte, ciência ou prática baseada na crença de ser possível influenciar o curso dos acontecimentos e produzir efeitos não naturais, valendo-se da intervenção de seres fantásticos e da manipulação de algum princípio oculto supostamente presente na natureza, seja por meio de fórmulas rituais ou de ações simbólicas.
AGROFLORESTAL: É um sistema de cultivo que combina a produção agrícola com a conservação florestal.
AROMATIZADOR : Uma mistura de elementos naturais, como flores, especiarias, cascas de madeira, entre outros, que perfumam o ar Pot-pourri.
ARQUEARIA : Substância ou parte (ramo, caule, galho, etc.) que serve ou é adicionada ao processo de fábrico de arcos, bestas, flechas, etc...
BIOMASSA : Matéria orgânica, de origem vegetal ou animal, utilizada para a produção de energia. Essa matéria pode ser queimada diretamente para gerar calor, ou convertida em combustíveis líquidos ou gasosos. A biomassa é considerada uma fonte de energia renovável, com menor impacto ambiental, especialmente quando se trata de resíduos reaproveitados.
BACTERICIDA : Que ou aquilo que elimina bactérias (diz-se de substância)
BEBIDAS : Qualquer líquido destinado ao consumo humano, seja ele natural ou preparado, podendo ser alcoólico ou não alcoólico. As bebidas podem ser classificadas de diversas formas, incluindo água, sucos, refrigerantes, chás, cafés, bebidas alcoólicas (como cervejas, vinhos e destilados), entre outras.
CARVAO : material sólido, de origem mineral ou vegetal, que consiste esp. em carbono com pequeno percentual de hidrogênio, compostos orgânicos complexos e materiais inorgânicos, muito us. industrialmente como combustível;
COMBUSTIVEL : diz-se de ou matéria que se queima para produzir energia térmica (madeira, carvão, gasolina etc.)
CONDIMENTO: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que é acrescentada a um alimento (antes, durante ou após o seu preparo ou na sua degustação), para emprestar-lhe sabor, aroma ou realçar o seu paladar; tempero.
CORANTE ALIMENTAR: Substância adicionada a alimentos ou bebidas para mudar, intensificar ou restaurar a cor, aumentando a sua atratividade e consistência visual.
CORDARIA: Substância (fibra, caule, casca, etc.) que é empregada no processo de fabricação de cordas e assemelhados.
COSMETICO: Os produtos obtidos que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária. Desse modo, esses produtos estão isentos de emitir informações detalhadas quanto ao seu modo e suas restrições de uso, devido suas características intrínsecas.
CRIMINOSO: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que é empregada na forma de loções, extratos ou drogas usadas ilicitamente de forma criminosa.
CURTICAO: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que é empregada no processo de curtimento de couro.
DERIVADOS: Da madeira, são produtos que se obtêm da madeira, e pretendem colmatar as limitações desse material, bem como adaptar a madeira e a mais usos específicos.
ENVENENAMENTO CRIMINOSO: Ocorre quando uma pessoa, de forma intencional e com o objetivo de causar dano, utiliza uma substância tóxica para intoxicar outra pessoa, resultando em lesão corporal ou morte
FERTILIZANTE: Substância, natural ou sintética, que fornece nutrientes para as plantas, melhorando o crescimento e a produtividade
FIBRAS: Substância de origem vegetal, extraidas das várias partes de uma determinada planta.
FORRAGEM: denominação comum dada para a alimentação de animais, da mesma forma que serve para o revestimento do local onde os animais dormem e descansam. Existem inúmeros tipos de forragens para animais.
FUNGICIDA: que combate fungos (diz-se de substância); antifúngico
HIGIENE PESSOAL: Consiste em um conjunto de regras e técnicas referentes à preservação da saúde e prevenção de doenças no organismo do ser humano, através da limpeza, desinfecção e conservação de instrumentos, espaços e objetos.
ICTIOTÓXICO : Substância ou parte (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que, lançado à água doce, tem a propriedade de envenenar o peixe, sem que a carne deste se torne tóxica.
ILUMINAÇÃO : Obtida por óleo, também conhecida como iluminação a óleo ou lamparina, refere-se a um sistema de iluminação que utiliza óleo combustível para produzir luz. O óleo, geralmente óleo de oliva, parafina líquida ou outros óleos vegetais ou animais, é queimado em um pavio dentro de um recipiente, criando uma chama que fornece luz.
INSETICIDA: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) usada para matar, repelir, prevenir ou mitigar insetos, como ovos e larvas.
LENHA : qualquer madeira, mais ou menos fragmentada, us. como combustível.
LUBRIFICANTE : Substância ou parte (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que, ao ser interposta entre superfícies em movimento, reduz o atrito e o desgaste, minimizando a geração de calor
MEDICINAL: As plantas e seus empregos dentro dos cultos não se limitam ao uso ritualístico, sendo difundido o uso medicinal de algumas espécies. Comumente são plantas indicas na medicina popular.
MELÍFERA: um termo usado para descrever algo que produz mel, ou seja, que é capaz de fornecer néctar e/ou pólen, ingredientes essenciais para a produção de mel pelas abelhas.
ORDÁLIO: Prova judiciária feita com a concorrência de elementos da natureza e cujo resultado era interpretado como um julgamento divino; juízo de Deus.
ORNAMENTAL: Esta categoria é destinada às plantas que são usadas na decoração da casa em dias de festa, celebrações, como também para a proteção da casa. As plantas são distribuídas em pontos estratégicos, em portas e na entrada do terreiro.
PAPEL: Substância (casca, caule, fibra, etc.) usada no processo de fabricação de papel.
PESTICIDA: são substâncias ou misturas utilizadas para controlar ou eliminar pragas, que podem ser insetos, ervas daninhas, fungos, roedores, etc., que prejudicam plantações, animais ou outros ambientes
RECIPIENTE: refere-se a qualquer objeto ou espaço capaz de conter algo, seja líquido, sólido ou gasoso. Pode ser um vaso, uma caixa, um recipiente, um tanque, ou qualquer outro tipo de embalagem ou estrutura utilizada para guardar, armazenar , acondicionar ou transportar itens.
RESINAS: Qualquer composto orgânico natural ou sintético constituído por uma substância líquida não cristalina ou viscosa . As resinas naturais são tipicamente substâncias orgânicas fusíveis e inflamáveis, transparentes ou translúcidas e de cor amarelada a marrom.
REVESTIMENTOS: Substância (casca, caule, fibra, óleo, etc.) utilizada como camadas de materiais aplicadas sobre uma superfície, também chamada de substrato, com o objetivo principal de prolongar sua vida útil e protegê-la contra a degradação.
SABOARIA: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que é acrescentada ao processo de fábricação de sabões.
SERRADURA: Utilização do pó da madeira.
SULFONAÇÃO: são óleos (geralmente de origem vegetal, como o óleo de mamona, ou mineral) que passaram por um processo químico chamado sulfonação. Neste processo, um ou mais átomos de hidrogênio do composto orgânico original são substituídos por um grupo sulfônico (-SO₃H), ou reagem para formar um sulfonato (íon RSO₃⁻)..
TABACO: Substância (casca, caule, fibra, folha, etc.) dessecadas e manufaturadas, para aspirar, fumar ou mascar; fumo
TATUAGEM: Material refere-se a todos os itens necessários para realizar o procedimento de forma segura e eficaz, incluindo equipamentos e produtos. Isso abrange desde a máquina de tatuagem e agulhas, até tintas, materiais de higiene e itens de proteção para o tatuador e o cliente.
TELHAME: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta, resina, seiva, etc.) que é acrescentada ao processo de entelhamento para formar o telhado de uma construção. É o resultado dessa ação, ou seja, o próprio telhado.
TEXTIL: pertencente ou relativo aos tecidos.)
TINTORIAL : Substância ou parte (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que serve ou é adicionada ao processo de tingimento.
VASSOURA : Peça ou parte (erva, folhagem, caule, etc) utilizado ou manufaturado para varrer, esfregar ou escovar superfícies.
VIDRARIA: Substância (erva, legume, especiaria, sal, pimenta etc.) que é acrescentada ao processo de fábricação de vidros e/ou vidraças.
Ritual de comunicação com Èṣù, é necessário que se mastigue a pimenta atarè, que serve como antisséptico bucal, purificando o hálito e eliminando as energias negativas das palavras que serão proferidas com o Orixá Èṣù, o simbolismo provém da força que produz ao ser mastigada e também pelo facto de dar força à palavra da pessoa que a mastiga, aumentando o dom de profetização, tanto para coisas positivas quanto para negativas.
O Jogo de Obi é um ritual de adivinhação e consulta espiritual praticado no Candomblé e na Umbanda, que envolve o uso de uma semente ovalada chamada obi. O jogo é conduzido por um Pai ou Mãe de Santo, que identifica o Orixá de Cabeça de cada pessoa.
O Aforibá é o momento em que Ògún e Ìyásan demonstram a passagem em que Ìyásan embebeda Ògún para fugir com Ṣàngó. O Babalorixá convida um Ògún e uma Ìyásan para executarem o Aforibá, então ela coloca no centro do salão duas garrafas contendo atã (Aforibá) e as armas pertencentes a estes orixás (espadas). Ìyásan toma as garrafas e oferece á Ògún que logo se embebeda, mas em seguida Ògún volta a si e vai atrás de Ìyásan empunhando sua espada. Os dois lutam, mas Ìyásan consegue acalmar Ògún e os dois reconciliam-se e voltam a dançar juntos. Tendo um Ṣàngó no mundo poderá vir ele fazer parte do Aforibá. Ṣàngó vem em defesa de Ìyásan e com seu machado de dois gumes entra na luta com Ògún. Aí então, Ìyásan acalma os dois Orixás.
Bantu, Mão de Nvumbe significa fazer cerimônia para tirar a mão do falecido, feita após um ano do Ntambi - cerimônia fúnebre. Cerimônia que é realizada nas pessoas que foram iniciadas pela pessoa que morreu, ou seja: tirar a mão do morto.
Ìbọ̀rí - da elisão de ibọ́ = ofertar, sacrificar + orí = cabeça = Oferenda à Cabeça, cerimônia primordial de reconhecimento do Orixá pessoal, antecessora a iniciação. Visa, propiciar à Cabeça Mítica. o equílibrio, restaurar e ampliar forças sobrenaturais, para que o individuo possa reconhecer-se. Uma iniciação à religião, sem a qual nenhum noviço pode passar pelos rituais e passagem, ou seja, pela iniciação ao sacerdócio.
Cada pessoa, antes de nascer escolhe o seu orí, o seu princípio individual, a sua cabeça. Ele revela que cada ser humano é único, tendo escolhido suas próprias potencialidades. Odú é o caminho pelo qual se chega à plena realização de orí, portanto não se pode cobiçar as conquistas do outro. Cada um, como ensina Ọrúnmilà – Ifá, deve ser grande em seu próprio caminho, pois, embora se escolha o orí antes de nascer na Terra, os caminhos vão sendo traçados ao longo da vida.
Èṣù, por exemplo, nos mostra a encruzilhada, ou seja, revela que temos vários caminhos a escolher. Ponderar e escolher a trajetória mais adequada é tarefa que cabe a cada orí, por isso o equilíbrio e a clareza são fundamentais na hora da decisão e é por meio do bori que tudo é adquirido.
Os mais antigos souberam que Àjàlà é o òrìṣà funfun responsável pela criação de orí. Dessa forma, ensinaram–nos que Òşàlà sempre deve ser evocado na cerimônia de Ìbọ̀rí. Yèmọnja é a mãe da individualidade e por essa razão está diretamente relacionada a orí, sendo imprescindível a sua participação no ritual.
A própria cabeça é síntese de caminhos entrecruzados. A individualidade e a iniciação (que são únicas e acabem, muitas vezes, se configurando como sinônimos) começam no orí, que ao mesmo tempo aponta para as quatro direções.
| Testa | Nuca | Lado Direito | Lado Esquerdo |
|---|---|---|---|
| Iwájú Orí | Ẹka Ọrùn | Apá Ọ̀tún | Apá Òsì |
Da mesma forma, a Terra também é dividida em quatro pontos: norte, sul, leste e oeste; o centro é a referencia, logo toda pessoa deve se colocar como o centro do mundo, tendo à sua volta os pontos cardeais: os caminhos a escolher e seguir. A cabeça é uma síntese do mundo, com todas as possibilidades e contradições.
Em África, Orí é considerado um deus, aliás, o primeiro que deve ser cultuado, mas é também, junto com o sopro da vida (emi) e o organismo (ese), um conceito fundamental para compreender os ritos relacionados a vida, como àṣèṣẹ̀. Nota–se a importância desses elementos, sobretudo o orí, pelos oriquis com que são evocados:
O Ìbọ̀rí prepara a cabeça para que o òrìṣà possa manifestar–se plenamente. Há um provérbio nagô que diz: Orí buru kó si Òrìşà - cabeça ruim não tem òrìṣà. É o Ìbọ̀rí que torna a cabeça boa. Entre as oferendas que são feitas ao orí algumas merecem menção especial. É o caso da galinha – d’angola, chamada nos candomblés de ẹtù ou konkém, que é o maior símbolo de individulização e representa a própria iniciação. A ẹtù é adòṣù, ou seja, é feita nos mistérios do òrìṣà. Ela já nasce com Èṣù, por isso relaciona – se com começo e fim, com a vida e a morte, por isso está no Ìbọ̀rí e no àṣèṣẹ̀.
O peixe representa as potencialidades, pois a imensidão do oceano é a sua casa e a liberdade o seu próprio caminho. As comidas brancas, principalmente os grãos, evocam fertilidade e fartura. Flores, que aguardam a germinação, e frutas, os produtos da flor germinação, simbolizam fartura e riqueza.
O pombo branco é o maior símbolo do poder criador, portanto não pode faltar. A noz de cola, isto é, o obí é sempre o primeiro alimento oferecido a orí; é a boa semente que se planta e espera – se que dê bons frutos.
Todos os elementos que constituem a oferenda à cabeça exprimem desejos comuns a todas as pessoas: paz, tranqüilidade, saúde, prosperidade, riqueza, boa sorte, amor, longevidade, mas cabe ao orí de cada um eleger prioridades e, uma vez cultuado como se deve, proporciona-las aos seus filhos.
A obrigação de 7 anos, Yorùbá Ọdún éje , Kimbundu Kituminu kia muvu sambuari ou Kuia é um passo crucial na jornada espiritual de um candomblé. Envolve um compromisso com a religião, incluindo rituais e sacrifícios. A obrigação ajuda os indivíduos a se desenvolverem espiritualmente e a se conectarem com seus antepassados.
A prática de Ọ̀bẹ ẹranko é uma parte fundamental do Candomblé, onde se busca o àṣẹ (energia vital) através do sacrifício de animais, que são oferecidos aos orixás como forma de oferenda, agradecimento ou para alcançar determinados objetivos.
Do Yorùbá Aşèşè (Português - Axêxê) - cerimônia realizada após o ritual fúnebre (enterro) de uma pessoa iniciada no candomblé.Tudo começa com a morte do iniciado, chamado de ultima obrigação, este ritual é especial, particular e complexo, pois possibilita a desfazer o que tinha sido feito na feitura de santo, é bem semelhante com o processo iniciático chamado de sacralização, só que agora este procedimento é uma inversão chamada de dessacralização, no sentido de liberação do Orixá protetor do corpo da pessoa.
Com uma navalha o Babalorixá ou yalorixá raspa o topo do crânio do falecido e retira o Oxu, juntamente com todos os pós colocado na sua iniciação, em seguida quebra-se um ovo, oferece um obi Obi ritual, pintando-o com efun, wáji, e ossun, coloca-se um novo oxu, um pombo é sacrificado, o sangue que escorre é recolhido num pedaço de algodão, parte dos objetos é enrolado no pano branco e colocado na sepultura, e outra é levado para dar inicio ao ritual do Aşèşè propriamente dito.
Junta-se todos seus pertences pessoais utilizados em sacrifícios e obrigações, como roupas, colares, nem sempre os assentamentos dos orixas são desfeitos, se faz uma consulta oracular (jogo de búzio) "Mẹ̀rìndínlógún" para se saber do destino dos objetos separados, se ficam com alguém. Em caso positivo, o objeto ou objetos em questão é lavado com água sagrada e entregue aos herdeiros revelado(s) no oráculo, e em caso negativo, o objeto é separado para junto com os demais e, após serem os colares rompidos juntamente com o kelê, as roupas rasgadas e os assentamentos quebrados, são colocados em uma trouxa que será entregue em um local também indicado pelo oráculo. Normalmente, a trouxa, chamada de Carrego de Egum, é acompanhada de um animal sacrificado, indo de uma única ave a um quadrúpede acompanhado de várias aves, dependendo do grau iniciático do morto. E ainda, se o falecido era um iniciado de pouco tempo, basta um lençol branco para embalar o carrego, se tratar de alguém mais graduado, o carrego é colocado em um grande balaio, o qual é depois embalado no lençol.
O processo de preparação e entrega, ou despacho do Carrego de Egum é a cerimônia fúnebre mínima que se dedica a qualquer iniciado no candomblé quando morre. As variações surgem, como foi já colocado, dependendo do grau iniciático ao qual pertencia o morto, mas também da Nação em que fora iniciado.
Se o morto era uma pessoa graduada na religião é que mereceria um Aşèşè. O Aşèşè nesses casos antecede ao Carrego de Egum e consiste em uma, três ou seis noites de cânticos e danças na qual se celebra a partida do iniciado para o outro mundo, rememorando o nome de outros iniciados já falecidos e, enfim, os eguns em geral.
Canta-se também a certa altura para os orixás, menos para Ṣàngó, para os quais se canta no depois da entrega do carrego no ritual do arremate. Todos os participantes devem vestir branco, a cor do nascimento e da morte no candomblé, as mulheres devem estar com a cabeça e o pescoço cobertos e os homens com os pulsos envolto na palha da costa.
Obedecem-se a vários preceitos rígidos de comportamento dentro do terreiro durante todo o processo, para evitar melindrar o espírito que está sendo respeitosamente despedido.
Depois do carrego despachado, canta-se o arremate no dia seguinte à tarde, antes do pôr-do-sol, as mesmas cantigas do Aşèşè são ainda entoadas e no final são louvados os orixás, e empreende-se uma limpeza ritual do terreiro, com a participação eventual dos orixás que porventura tenha se manifestado em seus elegun.
Ao longo do Aşèşè mesmo somente orixás mais ligados à morte como Oyá-Iansã, Obaluaiyê, Nanã e Ogum, etc. costumam se manifestar. No caso em que o morto era um pai ou mãe de santo cujo terreiro permanecerá ainda aberto, deverá ficar fechado ao público durante um ano ou mais conforme determinação do jogo, mas as cerimônias internas continuam, costuma-se repetir o ritual de um, três, seis meses, e um, três, sete anos depois do Aşèşè inicial.
O Aşèşè também é conhecido pelos nomes de sirrum e zerim, nomes em Língua Fon significando os instrumentos que são percutidos em substituição aos atabaques.
O sirrum é uma metade de cabaça emborcada em um alguidá onde se encontra uma mescla de substâncias líquidas abô e o zerim é um pote com certas substâncias dentro que é percutido com um abano (leque de palha) dobrado em dois.
Quando se trata de uma pessoa especialmente antiga e poderosa na religião, o Aşèşè é tocado com atabaques mesmo, com os couros ligeiramente afrouxados para serem depois também despachados no carrego. Em alguns terreiros da Nação Ketu também se usa tocar Aşèşè com três cabaças: duas inteiras e uma com a ponta cortada.
Cerimonia ritual feita após a terceira saída pública da iniciação. Os novos Ìyàwó em transe de erê, geralmente num domingo, realizam uma feira, com frutas, doces e objetos que receberam de presente ou que fabricaram durante sua estadia na camarinha. A finalidade é cobrir uma parte dos gastos da iniciação, por esta razão os produtos vendidos costumam ser muito caros.
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